Bloomsday 2017 – 16 de junho

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dançaBloomsday 6ª edição, 16 de junho de 2017

Sebinho Livraria, Café e Bistrô

CLN 406, Bloco C – Asa Norte

(61) 3447-4444

Entrada Franca, Censura Livre

O Sebinho volta a comemorar o Bloomsday com sua 6ª edição, dia 16 de junho.

Mais uma vez o Sebinho vai comemorar em grande estilo, no próximo 16 de junho, o Bloomsday, motivo de feriado nacional na Irlanda e celebrado no mundo inteiro. O evento lembra a jornada de um ordinário agenciador de propaganda, Leopold Bloom, sua mulher e seus companheiros, num dia corriqueiro de junho de 1904, narrado por James Joyce no romance Ulysses.

Até a publicação de Ulysses, em 1922, com raras exceções, a literatura ocidental tinha como objeto eventos extraordinários vividos por personagens excepcionais – deuses, semideuses, reis e rainhas, heróis e heroínas de todo tipo. Os modernistas, porém, desde o final do século 19, voltaram seus olhos para os homens e as mulheres comuns, talvez pelo fato de que, digamos, 99% dos dias vividos pela humanidade são preenchidos por acontecimentos absolutamente triviais – acordar, levantar, comprar pão, sair pro trabalho, voltar do trabalho, ver televisão, fazer sexo de vez em quando, ficar pendurado no zap e por aí vai.

James Joyce elegeu Leopold Bloom para representar nossa espécie, tomando como modelo, mas de forma irônica, um herói clássico – o Ulysses da Odisseia de Homero. Nada do que é humano é estranho nesse livro – filosofia, teologia, política, discussões literárias, sexo, palavrões cabeludos e humor, muito humor, atravessam o catatau. A rocha que o gigante Polifemo lança contra o herói grego vira uma lata de biscoito no romance, e a fidelíssima Penélope, que passa anos se defendendo do assédio dos pretendentes na ausência do marido, correspondente na obra do irlandês a Molly Bloom, mulher que está longe de ser um exemplo de fidelidade conjugal. No fim de mil e uma peripécias banais ao longo do dia, triunfam Bloom e Molly e, sim, sim, sim, o amor! Joyce ilumina o extraordinário que há no ordinário.

À primeira vista, o livro assusta, pelo volume (mais de 900 páginas) e pela má fama de ser difícil de ler, quase inextricável. De fato, a obra é coalhada de alusões eruditas e palavras fabricadas, mas isso não é razão suficiente para afastar os leitores e leitoras pois há vários guias e dicionários auxiliares à disposição na Internet. Desde o ano passado, temos no Brasil a excelente “Uma visita guiada ao Ulysses de James Joyce”, de Caetano W. Galindo, que também fez a última tradução de Ulysses para o português brasileiro. Ulysses conta a história de homens e mulheres comuns, como nós, e é uma pena deixar esse biscoito fino ser saboreado apenas nos Departamentos de Letras. Alguém precisa dominar a teoria musical para apreciar uma sinfonia de Beethoven? É claro que não. De maneira semelhante, basta saber ler e chutar a preguiça para enfrentar o Ulysses. E, como acontece com toda obra clássica, é preciso voltar a ele várias vezes para entendê-lo mais e melhor.

O Bloomsday 2017 celebra Joyce e sua obra, e é uma bela desculpa para aprender coisas novas, ouvir boa música, comer e beber, festejar a vida!

Programa

A partir do meio-dia, o Sebinho servirá comida e bebida típicas da Irlanda.

A programação cultural inclui:

19h – Abertura com apresentação da Companhia de Dança Irlandesa Celtas do Cerrado

19h20 – Palestra do embaixador da Irlanda, Brian Glynn

19h40 – Comentários do jornalista Antônio Carlos Queiroz sobre cinema e literatura (Eisenstein & Joyce) com base em “Ithaca”, o penúltimo episódio de Ulysses

20h – Leitura dramática de trechos de “Ithaca” pela professora Michelle Alvarenga, da Universidade Católica, e pelo professor André Aires

20h20 – Leitura dramática de trechos do terceiro episódio “Proteus” por Jesse James

20h40 – Show musical da banda Clan C, com membros do Tanaman Dùl, junto com performance da Companhia de Dança Irlandesa Celtas do Cerrado