Lançamento do livro “O Golpe na perspectiva de Gênero”

o-golpe-na-perspectiva-de-genero_900x700Data:  08/05/2018

Horário: 18:30

Preço livro: R$ 33,00

Local: Livraria Sebinho, 406 bloco C Asa Norte. Entrada Franca!

O afastamento de Dilma Rousseff, primeira mulher eleita presidenta do Brasil, gerou inflamados debates sobre economia e corrupção enquanto a questão de gênero, apesar de evidentes tensões nesse campo, ficou praticamente à margem das pautas de discussões, relegada, ao status de questão menor.

Quase dois anos após a saída de Rousseff do Planalto o saldo é de desmonte das estruturas e políticas especiais para mulheres, bem como o enfraquecimento da participação feminina no primeiro escalão do Governo. É o que revela o livro O Golpe na perspectiva de Gênero, organizado pela professora Dra. Linda Rubim e a jornalista Fernanda Argolo, ambas pesquisadoras do CULT – Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura da UFBA.

A publicação, que será lançada no dia 08 de maio na Livraria Sebinho, consta de 12 ensaios que sinalizam os enfrentamentos de gênero que acompanharam a gestão e a crise do mandato da presidenta Dilma Rousseff, as reações das mulheres à sua destituição; e os impactos do impeachment para a participação política das mulheres no Brasil.

Entre as autoras estão as ex-ministras da pasta das mulheres Nilma Lino Gomes e Eleonora Menicucci, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB – AM), a secretária do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Olivia Santana (PCdoB – BA), as professoras Céli Regina Jardim Pinto (UFRGS), Clara Araújo (UERJ), Flávia Biroli (UNB), Mary Castro (FLACSO), Márcia Macedo e Maíra Kubik (UFBA), a filósofa Márcia Tiburi,   a gestora cultural e professora (UECE) Cláudia Leitão, e da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL-RJ) – morta no dia 14/3/2018, no Rio de Janeiro.

O livro destaca como o processo histórico de inserção das mulheres ao espaço político tem sido marcado por uma dinâmica de avanços e retrocessos. As autoras recuperam o debate sobre o que é ser político na conjuntura brasileira e porque Rousseff foi considerada uma mulher fora de seu lugar.

A representação estereotipada da presidenta pela mídia e a banalização do debate sobre as mulheres em locais de poder é um dos pontos altos do título, que recupera os episódios de sexismo que marcaram a gestão de Rousseff.

Outra questão evidenciada pelas autoras foi o aumento do conservadorismo do Congresso Nacional com ataques diretos ao debate sobre gênero e projetos de lei que restringem o direito das mulheres.

A redução de mulheres nos cargos do primeiro escalão do Executivo foi uma das primeiras medidas do governo Temer, associada ao desmonte da Secretaria de Políticas para as Mulheres. É importante observar que o orçamento para as ações de combate à violência contra a mulher foi reduzido em 74% entre 2016 e 2017.

São destaques ainda da publicação as análises sobre o impacto das reformas trabalhista e previdenciária para as brasileiras, em especial as trabalhadoras domésticas.

O livro é um convite à reflexão sobre gênero no Brasil e a importância da participação das mulheres para o amadurecimento da democracia brasileira.