Literatura Face A Face Com Geraldo Lima

CAPA TESSELÁRIORoda de conversa sobre os Livros “Tesselário” e “Uma mulher à beira do caminho”Com a presença da autora Geraldo Lima e os debatedores André Giusti e Alexandre Pilati.

Data: 22/05/2018  – às 19h

Local: Libraria Sebinho – 406 norte

Entrada Franca! 

Tesselário, como bem o disse o escritor e amigo José Ricardo Moreira, “não quer ser livro de contos”. Será, então, um mosaico de textos diversos, de minitextos. Como o cara que recolhia pedrinhas, seixos, alguns bastante irregulares, e isso é que o animava, também fui instigado pela irregularidade, pela singularidade de cada texto. Alguns são apenas fragmentos, lascas de texto.

“Enfim um indivíduo de ideias abertas”, de Marina Colasanti, pariu “Mulher de Organdi”. Depois desse parto, fiz valer o conselho bíblico: “Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a Terra”. Povoei páginas no Word, páginas de papel A4. Durante um ano, pus filhos no mundo sem temer pelo seu futuro. Ei-los aí, entregues ao próprio destino literário. “Naquele exato momento”, de Dino Buzzati, me incutiu o desejo de causar o estranhamento: contos? crônicas? relatos? reflexões? A leitura de “A Cavalaria Vermelha”, de Isaac Babel, entrou também com sua cota de inspiração: seu mosaico de imagens que se sobrepõem. Aqui e ali, um pouco de Edgar A. Poe, do gótico, do sinistro. O guatemalteco Augusto Monterroso com o seu “Quando acordou o dinossauro ainda estava lá”, outra inspiração.  Dalton Trevisan, impossível não passar pelos seus textos. Mais que isso, impossível sair sem ser contaminado por suas elipses, seus dramas, suas obsessões: “Joões” e alguns minicontos da seção “Breu” são exemplos dessa safra com influência daltoniana. Das leituras de haicais ficou a leveza, o sentido da concisão, da surpresa. Ainda está aí a poesia de João Cabral de Melo Neto, com sua sintaxe e sua dicção de tosse e gagueira, ou ao gago em que falo em verso, como ele mesmo diz, e a poesia dos poetas negros (Adão Ventura, Cuti, Elisa Lucinda etc.), que me inspirou textos como “As mãos do senhor”, “Um homem à beira do precipício” etc.

 Machado de Assis? Meu mestre. C’est tout.

CAPA DO LIVRO UMA MULHER À BEIRA DO CAMINHO PATUÁOs contos aqui reunidos foram escritos ao longo de vinte anos, daí, talvez, uma certa disparidade de linguagem, tema e forma que se pode observar entre eles. Os mais antigos estão marcados ainda por um exercício experimental em termos de linguagem e forma, como é o caso de “Mesa de bar” e “Uma mulher à beira do caminho”. Busco, atualmente, enxugar mais os textos, evitando os excessos, para que a narrativa flua com mais naturalidade. São exemplos disso “Jornada”, “Você não volta mais?” e todos os contos da Segunda Parte. Tenho procurado manter, no entanto, a carga poética da linguagem em todos eles.

Vale dizer, ainda, que alguns desses contos foram publicados em antologias, blogs, sites, revistas eletrônicas e suplementos literários, como é o caso de “Mesa de bar” (3º lugar no I Concurso Nacional José J. Veiga de Conto, organizado pela UBE, Goiás, em 1994; o conto foi publicado na antologia de mesmo nome); “Uma mulher à beira do caminho”, publicado na revista eletrônica Bestiário, no suplemento literário Correio das Artes ( PB), no blog Bar do Escritor e  no site Na Ponta dos Lápis; “Saídas”,  publicado na antologia Todas as Gerações: o conto brasiliense contemporâneo, LGE Editora, org. por Ronaldo Cagiano; no blog  O BULE e na revista eletrônica Germina Literatura; “Retirada da Laguna”, publicado na revista eletrônica Germina Literatura; “Entre livros”, publicado no Jornal Rascunho (PR) e no blog da Editora Apicuri; “Névoa”, publicado no blog Baque e na revista eletrônica luso-brasileira InComunidade; e “Tarde demais”, publicado na revista Traços (DF). Alguns foram escritos por encomenda, como é o caso de “Jornada”, para fazer parte de uma coletânea, que não vingou; “Amanhã acordaremos mais tarde”, para o “Especial: contos do fim do mundo”, n’O BULE; “Naquela noite, num lugar distante de casa”, para a “Série de Literatura pornográfica” publicada n’O BULE, e “Entre livros”, para o blog da Editora Apicuri, a convite do escritor Rodrigo Novaes de Almeida.

Por fim, organizei o volume em duas partes, levando em conta mais o tamanho dos contos que o elemento temático. 

FOTO GERALDO LIMA TOMANDO CAPPUCCINO 3GERALDO LIMA é escritor, dramaturgo e roteirista.

Já publicou sete livros: A noite dos vagalumes (contos, Prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária, FCDF), Baque (contos, LGE Editora), UM (romance, LGE Editora), Tesselário (minicontos, Selo 3×4, Editora Multifoco), Trinta gatos e um cão envenenado (teatro, Ponteio Edições), Nuvem muda a todo instante (infantil, LGE Editora) e Uma mulher à beira do caminho (contos, Editora Patuá). Participou de algumas antologias literárias, como: Antologia do conto brasiliense (org, por Ronaldo Cagiano, Projecto Editorial, 2004), Todos os portais: realidades expandidas (antologia de contos de ficção científica org. por Nelson de Oliveira, Terracota, 2012), e Veredas: panorama do conto contemporâneo brasileiro (org. por Anderson Fonseca e Mariel Reis, Oito e Meio Editora, 2013).

Tem textos publicados em jornais, suplementos literários, revistas impressas e revistas eletrônicas, sites e blogs. É autor do roteiro do longa de ficção O colar de Coralina – direção de Reginaldo Gontijo e das peças de teatro Error [encenada em Brasília pela Oficina de Teatro de Periferia, em 1987] e Trinta gatos e um cão envenenado [encenada em Brasília pelo Teatro Caleidoscópio, em 2016]. Colaborou na criação do roteiro O Anjo Augusto, de Vicente de Paulo Siqueira. Tem ainda mais duas peças de teatro inéditas e um roteiro de curta-metragem também inédito.

E-mail: gera.lima@brturbo.com.br

BLOG BAQUE (Baque-blogdogeraldolima.blogspot.com.br)