Lançamento do Livro “Desejar, Falar, Trabalhar”

capaAutora: Ana Magnolia Mendes

Data:  20/09/2018

Horário: 18h30min

A obra Desejar, Falar, Trabalhar é, inquestionavelmente, um marco. Pautada por preocupações e discussões decorrentes dos estudos sobre psicopatologia, trabalho e escuta clínica, sua trajetória oferece contribuições valiosas aos que se propõem a estudar Trabalho enquanto categoria ontológica – em seus sentidos social, ético-político e prático. Seu diferencial, acima de tudo, reside no fato de que essas contribuições emergem justamente da dedicação incansável da autora à escuta dos trabalhadores. Desse modo, o livro apresenta resultados de um percurso guiado pela articulação entre teoria, método e a voz dos sujeitos.

A autora marca uma posição firme ao articular colonização, capitalismo e trabalho. Entender o ser trabalhador no Brasil exige dos pesquisadores e estudiosos um resgate de nossa história. Marcas históricas que nos ajudam a entender a colonização dos afetos e, fundamentalmente, do próprio trabalhador. Essa discussão, extremamente necessária, é realizada de maneira sensível na obra, contextualizando sociopoliticamente de qual sujeito está se falando. Oferece ao leitor, assim, terra firme para adentrar o que se apresenta a seguir: uma teoria do sujeito fundada em pressupostos psicanalíticos, que articula concepções sobre supereu, desejo, gozo, falar-insistir, calar-resistir-desistir.

Partindo dessa complexa teia teórica e, principalmente, com base em sua experiência na escuta dos trabalhadores, a autora nos apresenta de maneira generosa sua proposta metodológica e um caso emblemático para as discussões realizadas no livro. Trata-se, então, de uma obra que traz contribuições sociais, políticas, clínicas e científicas.

Nos chama a refletir coletivamente sobre as armadilhas presentes no mundo do trabalho. Em suas próprias palavras: “Uma possibilidade para confrontar as armadilhas do controle, servilismo, mudez e indiferença é a improvisação do trabalho. Viver na morte! Convite a criar, subverter, transgredir, pensar, agir”. A obra é, em si, o convite a uma criação subversiva, transgressora e, acima de tudo, ético-política.

 Ana Magnolia Mendes, professora do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB). Coordenadora do Núcleo Trabalho, Psicanálise e Crítica Social. Coordenadora do Projeto Práticas em Clínica do Trabalho na Clínica-Escola (CAEP) da UnB. Pós-Doutorado na Université de Nice Sophia Antipolis, Nice, França. Estágio Sênior na Après-Coup Psychoanalytic Association em parceria com a School of Visual Arts, Nova Iorque (EUA). Doutorado em Psicologia, UnB, sanduíche na Universidade de Bath, Inglaterra.