Lançamento do livro “Tributo à sanidade de um louco brasiliense”

Foto do livroAutor: Murillo Homem

Data: 29 de Setembro

Horário: 18h30min

Entrada Franca!

Escrito de uma forma que visa a união harmônica entre a prosa e a poesia, O Tributo à sanidade de um louco brasiliense, como várias obras de teor indispensável, se passa em uma metrópole contemporânea, repleta de personagens cuja essência; cuja estabilidade emocional está arruinada ou em vias de se desfazer. Augusto Rosenberg, personagem fundamental da narrativa, nasceu e viveu em Brasília, em meio ao apocalipse constitucional; no centro de um caldeirão político tenso e desvairado. Menino de espírito livre e pioneiro, Augusto cresceu e floresceu em meio às árvores tortas e ressequidas do cerrado, até alcançar e integrar a juventude alada, livre de amarras, cujos membros se autointitulavam indomáveis — espécie de resistência juvenil com valores existenciais minimalistas; filósofos, poetas e intelectuais da época; com uma noção de meio independente e despretensiosa. O cenário em que ocorrem as extravagâncias juvenis é também belo e libertário: a Chapada dos Veadeiros, ambiente místico e primitivo, que inspira e instiga os jovens da capital com insinuações de cunho metafísico e energético.  Lá ele se depara com o amor da sua vida; a sua Diana; com a sua revelação essencial.

            Entretanto, cumpridas as extravagâncias juvenis, com o surgimento das crescentes responsabilidades sociais, Augusto se depara com alguns dilemas de caráter fundamental, que envolvem a sua noção de ser individual enquanto indivíduo da sociedade. “Vale a pena abdicar da essência em benefício da coletividade?”; “O que pesa mais na balança do universo? O perecimento do corpo em prol de uma causa nobre; ou a inércia e o consequente empobrecimento do espírito?”. Eis os questionamentos, entre outros tantos, que passam a habitar as cavernas de seu cérebro doentio, até que Augusto se vê obrigado a integrar as fileiras do Estado. Casa-se, por fim. Inicia a sua vida pública como servidor de baixo escalão, em um tribunal superior qualquer, acostumando-se aos mexericos venenosos e às constantes bajulações e humilhações típicas do meio. Depois, após alguns atos obscuros, torna-se Juiz de Direito, e se apega ferrenhamente à garrafa de bebida, tornando-se um alcoólatra incontrolado.

            Com o novo cargo de Juiz, Augusto se depara com extensos atos de corrupção no interior da máquina estatal, e lida com eles com pureza e honestidade, à maneira de um santo, ou coisa do tipo. Augusto se recusa a integrar essencialmente as bases do sistema, renunciando aos princípios e trejeitos dignos do seu cargo; e age conforme a sua própria virtude, ou desvario. Augusto torna-se um mártir do sistema; embora a loucura e o receio o assolem constantemente, com questionamentos do tipo: “Eu me tornei grande por orgulho, ou por necessidade?”. A bebida mistura-se à insanidade e passa a corroê-lo por dentro. Augusto definha, enquanto o Estado se mantém imortal; enquanto a coletividade perdura. Seus atos de honestidade são reduzidos a simples idiotices… Até que a bocarra maldita o engole por inteiro, e o cospe em seguida.

Foto do autorMurillo Homem nasceu em Brasília, no ano de 1991. Seu fascínio pela literatura surgiu em um momento na pós-adolescência, quando, estimulado por uma professora, iniciou os seus estudos literários e passou a venerar e a praticar o Belo Ofício. É formado em Direito e frequentou alguns semestres do curso de Filosofia. Vencedor do prêmio Sarau Brasil 2018, Concurso Novos Poetas, realizado pela Editora Vivara.