Lançamento do livro “As margens do paraíso”

convite-digital-2---sebinhoAutor: Lima Trindade
Data: 15/04/2019
Horário: 18h30

Entrada franca!

 

As Margens do Paraíso, do escritor Lima Trindade, conta histórias de personagens anônimos e de suas perspectivas durante a construção de Brasília. Um olhar ficcional para o passado que ajuda a refletir sobre o presente.

Leda é filha adotiva da categoria do “como se fosse da família”. Está mais para escrava. Tem casa e comida e, em troca, muito trabalho doméstico. “Madame pode ser bonita, mas é ruim feito a moléstia. Não com todos. Com o Chiquinho e a Francis, que são sangue do próprio sangue, a conversa é biluzinho pra cá, biluzinha pra lá. Toda afagos. Já eu, chegada grande e no tempo em que não havia criança nenhuma na casa, restou escravidão. E ser uma ‘quase’”. Leda é uma das personagens do romance As Margens do Paraíso, da Cepe Editora, escrito por Lima Trindade. A obra será lançada dia 30 de março, às 18h, na Livraria LDM, em Salvador, e dia 15 de abril, às 18h30, no Sebinho, em Brasília. No Recife, o livro terá lançamento em agosto, durante a Feira Nordestina do Livro (Fenelivro).

As histórias de Leda, Zaqueu e Rubem se passam no final dos anos 1950, época da construção de Brasília, paraíso geográfico do livro, envolto de promessas de progresso, e por municípios menores, onde as personagens habitam, “são as próprias margens”, como enfatiza o autor. A vida de algumas das personagens também se dá marginalmente. “O paraíso representa tanto o lugar da queda, da perda da ingenuidade e pureza, quanto o da perfeição, uma promessa anunciada, uma utopia. O título espelha essa dupla possibilidade. O que me interessa não é o centro da coisa, mas as margens: a história ainda não contada e anônima, as vidas que não estão do lado de fora do paraíso, mas fazem parte de seu esqueleto sem serem lembradas/registradas em sua inteira potência”, explica o autor.

Com um olhar ficcional para o passado que ajuda a refletir o presente real, Lima Trindade vai até a construção de Brasília para pensar sobre a relação desse fato com o imaginário contemporâneo e com a definição de nossa relação com o poder. As vidas comuns de suas personagens dentro do contexto da época, seus pensamentos e ações estão emparelhados com o momento atual. Trindade nasceu em Brasília e mora em Salvador desde 2002. É mestre em Letras pela Universidade Federal da Bahia.

A obra de 270 páginas traz protagonistas que a princípio não interagem, e vão e voltam no decorrer da narrativa, como se o autor fosse um diretor e mudasse de cenário, intercalando os três. “Na primeira parte as personagens não ocupam o mesmo espaço físico, não pisam o mesmo chão, não vivem nas mesmas cidades. Eu não sabia exatamente o que aconteceria com cada uma delas, se elas demonstrariam ser quem eu imaginava que fossem ou quais seriam suas reações perante os conflitos que se anunciavam. Eu apenas deixei que falassem e fui alternando o meu foco de uma para outra conforme o aumento ou enfraquecimento da carga dramática”, explica Trindade.