Dia D

Dia de Drummond terá concurso de poemas

Este ano, o Dia D, de Drummond, será comemorado pela Livraria Sebinho com a inovação de um concurso de poemas alusivo à vida e obra do poeta, com prêmios para os três primeiros colocados.

A sétima edição do Dia D será realizada no dia 31 de outubro, terça, data de nascimento de Drummond, em 1902. Serão lembrados também os 30 anos de seu falecimento, em 17 de agosto de 1987.

O Sebinho montará palco e telão na parte externa da livraria, onde serão anunciados os vencedores do concurso, após a récita de poemas do poeta de Itabira e de um sarau, com a ativa participação do público. O evento terá início às 19h.

O restaurante oferecerá almoço e jantar com cardápio mineiro, prato principal e sobremesa.

BetoO evento ainda contará com o show À Flor da Pele com Beto Dourah, cantor e compositor carioca radicado em Brasilia, às vésperas do embarque para mais uma turnê europeia, tem encontro marcado com o público de Brasília no próximo dia 31 de outubro de 2017, às 21 horas com o show Beto Dourah À Flor da Pele, que faz parte da turnê Conexão Dourah, no qual promete emocionar o público com releituras de clássicos do Clube da Esquina, Milton Nascimento, os irmãos lô, Marcio e Telo Borges, Flavio Venturini, Toninho Horta e outros com o qual tem forte identidade que fizeram parte dos álbuns lançados de 1994 até hoje, com ênfase às compostas com os amigos e parceiros ilustres Jorge Vercillo, Ivan Lins e Telo Borges.

Os prêmios do concurso, para candidatos residentes no Distrito Federal, serão pagos em vales-compras a serem usados na própria Livraria Sebinho, no valor de R$ 500,00, R$ 300,00 e R$ 200,00 para o primeiro, segundo e terceiro colocados, respectivamente.

Integram a comissão julgadora o escritor Fábio de Sousa Coutinho, o jornalista Danilo Gomes, e a poeta Noélia Ribeiro, membros da Associação Nacional de Escritores (ANE).

O regulamento e o formulário de inscrição ao concurso estão disponíveis logo abaixo.

INSCRIÇÕES ENCERRADAS!

Vencedores do concurso de poemas

É com grande alegria que trazemos a nossos leitores os vencedores do primeiro concurso de poemas pautados na vida e obra de Carlos Drummond de Andrade, homenageado na sétima edição do dia “D”, realizado em 31/10 na livraria e café Sebinho ao som de boa música, memoráveis poemas e uma deliciosa gastronomia mineira.

1º Lugar

Pseudônimo: José Irônico de Almeida

“Releitura 

Mundo, mundo vasto mundo…

Se eu me chamasse P’ssoa,

Não seria rima,

Nem solução, nem sossego. 

Arrenego! 

Reencarnação não ensina!

É por aí o que vejo

O que insinuam Lisboa,

O seu rio e seu cortejo. 

Se eu me chamasse P’ssoa,

Bem longe iria o Mondego… 

Tão só, à margem do Tejo,

Eu vagaria obscuro,

Entre id e superego,

Saudoso, contraditório… 

Mundo, mundo

Vasto mundo?

Arrenego!

Mais vasto é meu escritório! 

Mais vasta é Copacabana

Em sua igual diversidade,

O mar que não desafio

Humana é a mesma cidade. 

Mesmo é o Rio e mesma a fama

Os retratos nas paredes

Cigarros, tabacarias

Siderúrgicas, mulheres. 

Igual o trajeto torto

Do minério até o porto

Tredas lavras, essas mesmas

Do produto interno bruto. 

Tal a receita de bolo

Tais as pedras portuguesas

Do calçadão em que ambulo

Levando aos ombros o Todo

Com meus tênis de longevo 

E camisa volta-ao-mundo. 

Mundo, mundo, vasto mundo…

Se eu me chamasse Raimundo?

Seria uma rima, é verdade,

Mas não solução, nem sossego.

Só um possível heterônimo

Para Carlos Drummond de Andrade.”

2º Lugar

Rafaella da Silva Bonfim

“tal qual drummond

vi que nasci pra ser gauche

tal qual Drummond

nessas ruas, passo por onde

me deixo avalanche

me deixo amor,
pois,

vasto é meu coração!

sonho! por que não?

mesmo a paixão

em pedra

tropeço em rimas,

sem medra

pois poeta nunca medra!

caminha nas ausências

carnais ausências d’alma

em histórias de amor

de paixão,

um carma sem calma

e sonha em sua mente,

 sonha sem solidão

a rima então vira solução

a solução vira semente

e a poesia faz vingar a flor,

que perfuma o presente…

tal qual carlinhos

sento num banco em Ipanema

rabisco, recordo, faço poema
olhos ao mar,

sozinhos

sorrindo,

a brisa leve leva meu rancor

faço as pazes com a minha dor

pra no meu peito vingar

ainda mais amor.

tal qual drummond…”

3º Lugar

José Carlos Beleira

 

“Sentimento do mundo II

 

Tenho quatro irmãos

e trago o peso do mundo

Não consegui auxílio, não vendo bandeiras.

Temo os termos que me definem.

Gritam meu nome das arquibancadas,

tropeço, peço que transportem os trogloditas anunciados.

As telas das casas estão acesas atrás das grades.

As arenas para os trabalhos nobres

Foram abertas no horário.

Meus irmãos enciumados

querem aparecer diariamente

sem saber como se trata

esse recente vício no início do século.

Passado e antepassado

Nessa metralhadora, moço, que você carrega no bolso

Para ninguém sair ferido

Nesse entardecer eterno.

Gravemente magoado

Acendo os faróis

Ou sinto o atropelo do descobrimento”

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